NOTA PÚBLICA EM DEFESA DA JUSTIÇA AMAZONENSE

1A Associação dos Magistrados do Amazonas, entidade que congrega no seu quadro social os magistrados do Poder Judiciário do mesmo Estado, e que tem por finalidade, dentre outras, velar pela dignidade da magistratura amazonense, vigilante nesse objetivo, vem tornar público o sentimento de repulsa às declarações agressivas e arrogantes da Deputada Federal Érika Jucá Kokay, divulgadas pelas mídias tradicionais e compartilhadas nas mídias sociais, na data de 22 de fevereiro corrente, atingindo as instituições que cuidam da aplicação da Justiça no nosso Estado, nestes termos:
“Segundo Kokay, a Justiça amazonense tem se posicionado de forma “frouxa”, causando “prejuízos à dignidade humana”, referindo-se à demora na apuração judicial dos supostos crimes de pedofilia atribuídos ao Prefeito de Coari.
Tais imprecações lançadas com verbalização inflamada denotam que a parlamentar, oriunda da militância sindicalista, fez vista grossa aos decretos prisionais do alcaide e outras pessoas a ele ligadas, desprezando-os, enquanto que na data de 21 de fevereiro, a posteriori, a belicosa parlamentar procedia às comentadas verberações, divulgadas pela imprensa e redes sociais, após sair do Gabinete da Presidência do Tribunal de Justiça.
De outro modo, há de ser compreendido que a Justiça amazonense, como qualquer outra deste País, para o exercício da jurisdição, tem a imperiosa participação conjugada do Juiz, do Promotor e do Advogado. Diante desse contexto, as declarações da referida parlamentar afrontaram os membros do Judiciário, do Ministério Público e da própria Ordem dos Advogados do Amazonas. Sem a participação de um deles, resta evidente que a Justiça não se movimenta.
Demais, cumpre conferir a existência do CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, órgão componente da estrutura orgânica do Poder Judiciário, que possui primazia no controle do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, e é a quem o magistrado deve prestar contas, e não ao Poder Legislativo Federal, sob pena de ocorrer invasão de competência a malferir o principio constitucional da autonomia e independência do Poderes.
Por igual, é oportuno observar que a Comissão Parlamentar de Inquérito, da qual a Deputada Érica Jucá Kokay faz parte como Presidente, tem poderes de convocar pessoas para depor, ouvir testemunhas, requisitar documentos e determinar diligências, entre outras medidas, mas com o objetivo de apurar fato determinado, que no caso concreto é inerente ao crime de pedofilia, e não apurar fatos da alçada do Tribunal de Justiça do Amazonas ou do Conselho Nacional de Justiça. Tal
formalismo, pois, do fato determinado tem o amparo normativo do art.58, § 3º, da Constituição Federal, verbis:
“As Comissões Parlamentares de Inquérito que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas serão criadas pela Câmara dos  Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente,  mediante requerimento de um terço de seus membros para a apuração  de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.”
E por falar em responsabilidade criminal, urge lembrar à Deputada Érica Jucá Kokay que com o mesmo furor que investiu contra a Justiça amazonense, lembre-se de cuidar da sua defesa nos seguintes autos que tramitam no STF: a) INQUÉRITO nº 3129, recebido no Supremo Tribunal Federal na data de 23/03/2011, com cinco volumes, cuja relatoria coube ao Ministro Marco Aurélio, atualmente com vista ao Procurador Geral da República; b) INQUÉRITO nº 3699, recebido no Supremo Tribunal Federal na data de 24/07/2013, tendo como Relatora a Ministra Cármen Lúcia; e c) INQUÉRITO nº 3818, recebido no Supremo Tribunal Federal na data de 18/12/2013, cuja relatoria é do Ministro Ricardo Lewandowsky, com vista ao Procurador Geral da República, tudo publicado no site da Suprema Corte.
Por fim, a nossa entidade de classe apresenta esta nota pública, na certeza de que a Direção do Tribunal de Justiça do Amazonas não se intimidará pela postura agressiva de quem promove críticas impertinentes, e que todos os Juízes do 1º e 2º grau da nossa magistratura saberão atuar com independência e livres de pressões, sem se importar com a vontade pessoal de quem quer que seja, mas, sim, buscando promover a realização plena da Justiça. Não há, pois, Justiça frouxa, nem Lei e nem Estado frouxo no nosso Amazonas.

Manaus, 27 de fevereiro de 2014.

LUDIMILSON FIGUEIREDO DE SÁ NOGUEIRA 
Presidente da Associação dos Magistrados do Amazonas

 

Fonte: TJAM

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