Com vidas humanas não se brinca

A tragédia na boate Kiss, na madrugada deste domingo, deixou mais de 230 mortos e pelo menos 120 feridos. 
A polícia deteve na manhã desta segunda-feira (28) um dos donos da boate Kiss o empresário Elissandro Spohr, o Kiko e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, segundo informações do delegado Sandro Meinerz, presidente do inquérito policial. 
Eles tiveram o pedido de prisão temporária de cinco dias decretada pelo juiz Regis Adil Bertolin, durante a madrugada desta segunda-feira, 28. O vocalista do grupo que se apresentava no momento do incêndio foi detido durante o velório do gaiteiro Danilo Jaques em Mata, na região central. 
Especialistas em segurança listaram as principais hipóteses que teriam contribuído para a morte de pelo menos 231 pessoas em meio a um incêndio na casa noturna Kiss em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. 
Negligência, superlotação, falta de fiscalização, estrutura deficiente e uso de pirotecnia. Essas são algumas das hipóteses que, somadas, teriam contribuído para a tragédia da madrugada do último domingo na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, na qual morreram pelo menos 231 pessoas. Outras 106 continuam hospitalizadas, pelo menos 16 em estado grave. 
Um dos proprietários da boate Kiss confirmou, em depoimento à Polícia Civil, que o alvará de funcionamento da casa noturna estava vencido desde dezembro do ano passado. 
Além disso, segundo o coronel nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, o local funcionava também sem o Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndio (PPCI), que havia expirado em agosto de 2012. Entretanto, o estabelecimento estava liberado para operar até nova perícia. 
Emitido pela Prefeitura com base em pareceres dados por outros órgãos, o alvará é uma licença que autoriza que determinada atividade seja exercida em determinado local. 
Já o PPCI, segundo definição da própria Brigada Militar do Rio Grande do Sul, é “um processo pelo qual todo o proprietário ou responsável por prédios com instalações comerciais, industriais, de diversões públicas e edifícios residenciais com mais de uma economia e mais de um pavimento deve possuir”. 
Especialistas ouvidos pela BBC Brasil consideram que, apesar de a casa noturna já ter obtido a permissão de funcionamento no passado, uma vez que os documentos são necessários para a abertura de qualquer estabelecimento comercial, a manutenção das atividades de um local com licenças vencidas aumenta o risco para os usuários. 
“Houve relatos, por exemplo, de que os extintores não funcionaram. Em tragédias como essas, sempre há situações muito óbvias que acabam negligenciadas”, afirmou à BBC Brasil Carlos Wengrover, engenheiro e coordenador do comitê brasileiro de segurança contra incêndio no Rio Grande do Sul. 
“É preciso saber se a casa cumpriu à risca as normas determinadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como, por exemplo, a existência de iluminação de emergência”, acrescenta Wengrover. 
No Amazonas, as casas de Shows com irregularidades não funcionam, porque o Ministério Público fiscaliza com muito rigor o cumprimento das Leis e normas de segurança e proteção ambiental. 
Os responsáveis pela tragédia devem ser processados com o rigor da Lei, porque não se brinca com a vida humana. 
Por Eliezer Leão Gonzales

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