Discurso de Dalazen durante ato por Trabalho Seguro relembra acidente fatal com operários

Em discurso proferido durante o ato pelo Trabalho Seguro, no canteiro de obras da Arena Fonte Nova, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, João Oreste Dalazen, lembrou as vítimas da queda de um elevador que culminou com a morte de nove operários em Salvador. “Cuidem-se, meus irmãos”, alertou Dalazen.
 
Isso porque o acidente citado não é um fato isolado. Na Bahia, a cada três dias, morre uma pessoa vítima de acidente de trabalho. Foram 24 mil acidentes no ano passado, com 119 mortes, ou seja, 4,38% do número total de óbitos no país. Os números são do Ministério da Previdência Social e refletem uma situação nacional considerada preocupante pelas autoridades que lutam contra um drama que atinge cada vez mais famílias brasileiras.
 
Por isso, a importância do ato ocorrido hoje (13), às 10h, no canteiro de obras do estádio Arena Fonte Nova, em Salvador, promovido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e Tribunal Regional do Trabalho 5ª Região (Bahia). É o sétimo a ser realizado em estádios que se preparam para receber a Copa do Mundo de 2014 e tem como objetivo alertar a população para a prevenção de acidente, cuja falta vem tirando  vidas de trabalhadores ano a ano.
 
De acordo com o presidente do TST e do CSJT, ministro João Oreste Dalazen, o número de vítimas de acidentes em serviço dobrou entre 2001 e 2010. “A Justiça do Trabalho está preocupada”, avisa, com frequência. “No ano passado, a média foi de sete trabalhadores mortos por dia. Todos perdem com o acidente de trabalho. Não há condenação da Justiça que devolva a vida ou a saúde para os que sofrem acidentes”, disse. “Esse evento é um esforço e contribuição mínima que mostra que valorizamos a segurança, a saúde e a vida de todos vocês”.
 
Antes de discursar na Arena Fonte Nova, o capitão da Seleção Brasileira de futebol na Copa de 92, Cafu, chamou ao palco um dos operários que estava na plateia e pediu que o “bom dia” fosse provocado por ele. Em seguida, o jogador falou sobre a importância de cada operário no canteiro de obras.
 
“Eu fui bom naquilo que eu fiz, que foi jogar futebol. Mas eu não sou melhor que vocês. Para jogar bem futebol, eu preciso de um bom estádio. E vocês são os melhores naquilo que fazem, que é construir estádio. Vocês precisam policiar cada um de vocês. Policiar não é entregar o companheiro. É alertar”, explicou.
 
Para homenagear os operários, Margareth Menezes, para quem o trabalho é a “coisa mais importante na vida do ser humano”, contou com o apoio de palmas ao cantar, à capela, a música “O que é? O que é?”, de Gonzaguinha. 
 
Depois, como já é de praxe nos eventos, os trabalhadores receberam cartilhas com orientações e dicas sobre como prevenir acidentes nos locais de obra, além de terem sido agraciados com brindes distribuídos pela organização – entre eles, nove camisas da seleção brasileira de futebol autografadas por Cafu.
 
Os Atos pelo Trabalho Seguro, que já ocorreram no Rio de Janeiro, Natal, São Paulo, Cuiabá, Minas Gerais e Brasília, integram o Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho – Trabalho Seguro, apoiado por várias instituições públicas e privadas. Atualmente, o Programa se encontra em sua segunda fase, focada na construção civil, setor com mais vítimas fatais. Segundo dados da Previdência Social, foram 54 mil acidentes ocorridos em obras em 2010, dos 701 mil contabilizados no país.
 
A preocupação atual dos órgãos que tentam diminuir a incidência desses acidentes é a pressão sofrida com as obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016. “Quanto maior a rapidez, maior é o receio de que haja negligência na execução do trabalho e, por conseguinte, um maior número de acidentes de trabalho”, costuma ressaltar o ministro Dalazen.
 

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