| Dr. Eliezer Gonzales | Eliezer Leão Gonzales

TST declara nula mudança de jornada sem aprovação da categoria

A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho admite a legitimidade do sindicato para negociar com as empresas a fixação de turnos ininterruptos de revezamento de oito horas (duas horas a mais do que o previsto em lei), mas a mudança pressupõe norma coletiva válida. A ausência de aprovação da medida em assembleia geral da categoria foi determinante para que a Subseção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho declarasse a nulidade de acordo firmado entre a Philip Morris Brasil e seus empregados para a adoção de turno de revezamento de oito horas.

Para o relator do processo, ministro Augusto César Leite de Carvalho, a assembleia geral é o meio pelo qual a categoria manifesta a sua vontade, definindo quais interesses e direitos deseja ver defendidos pelo sindicato. “Logo, para o sindicato celebrar acordo de elastecimento de jornada em turnos ininterruptos de revezamento, deve estar autorizado pela categoria, conforme vontade expressa na assembleia geral”, afirmou.

O ministro observou que há previsão legal expressa sobre a necessidade da aprovação para “celebrar, prorrogar, rever, revogar acordo coletivo”, e que a SDI-1 vem se posicionando no sentido da nulidade dos instrumentos normativos que não observem as formalidades legais por eles exigidas. Por unanimidade, restabeleceu-se a decisão do TRT no sentido do pagamento das horas extras e reflexos.

A cláusula que instituiu a jornada de oito horas integrou o acordo assinado em 1990 e, desde então, vem sendo renovada nos acordos subsequentes sem ser submetida novamente à assembleia geral. O processo foi movido por um trabalhador da Philip Morris que defendia que a negociação coletiva pressupõe o envolvimento dos trabalhadores, “e não apenas a vontade da diretoria do sindicato”.

Condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP) ao pagamento como extras das duas horas excedentes à jornada legal de seis horas para turnos ininterruptos de revezamento, a empresa conseguiu reverter a condenação na 6ª Turma do TST, com o argumento de que a obrigatoriedade da aprovação em assembleia (prevista nos artigos 612 e 617 da CLT) não se aplica à renovação de acordos, e sim de sua celebração inicial. O empregado interpôs, então, os embargos à SDI-1. Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.

RR 261500-19.1999.5.09.0010 (Fase atual: E-ED)

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OAB critica greve dos juízes federais marcados para abril

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e a OAB-SP criticaram a greve dos juízes federais marcada para o dia 27 de abril para reivindicar reajuste de 14,6% e mais segurança. O presidente nacional da entidade, Ophir Cavalcante, afirmou ontem que os juízes devem repensar a paralisação da categoria.

“Entendemos que o juiz deve receber uma boa remuneração para poder exercer com dignidade, autonomia, tranquilidade e independência a sua função. Entretanto, uma paralisação dos juízes federais cria empecilhos ao funcionamento do Poder Judiciário e é nefasta para sociedade, para o cidadão que tem processos em tramitação e não é boa para a imagem da magistratura”, afirmou Cavalcante.

Já o presidente em exercício da OAB-SP, Marcos da Costa, considerou uma afronta direta ao Estado Democrático de Direito o anúncio da paralisação. “Uma greve dessa natureza é altamente prejudicial ao cidadão, impedindo-lhe o acesso à Justiça, base de sustentação da democracia”, afirmou Costa em nota oficial.

A data foi escolhida após assembleia da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) na última quinta-feira (24/3). Segundo a entidade, 74% dos participantes foram favoráveis à paralisação no dia 27 de abril; 17% optaram por dar continuidade às negociações; e 9% votaram pela greve imediata e por tempo indeterminado.

A paralisação pretende forçar a aprovação de reajuste de 14,79% nos salários dos juízes federais. A Ajufe também protocolou ação no Supremo Tribunal Federal pedindo que reconheça omissão do Congresso Nacional ao deixar de aprovar o reajuste. Se a correção ocorrer nos moldes do que foi pedido ao Congresso, o salário dos ministros do STF, que é o teto do funcionalismo, passará dos atuais R$ 26.723 para R$ 30.675.

Marcos da Costa afirmou ainda que não há problema em se encaminhar discussão sobre o reajuste de salários, porém, não nos termos propostos. “É inadmissível a tese de que o próprio Supremo Tribunal Federal deveria conceder o reajuste pretendido pelos juízes, independentemente de lei, ignorando o Congresso Nacional, impedindo o debate transparente que precisa ser realizado sobre os interesses da nação em relação a tal aumento, e o conhecimento, pelo contribuinte, sobre o impacto que trará sobre as finanças públicas.” Com informações das Assessorias de Imprensa da OAB nacional e da OAB-SP.

Leia a nota da OAB-SP:

A OAB-SP considera uma violência à cidadania a paralisação nacional dos juízes federais anunciada para o dia 27 de abril por questões remuneratórias. Uma greve dessa natureza é altamente prejudicial ao cidadão, impedindo-lhe o acesso à Justiça, base de sustentação da democracia. Por exercerem funções do Estado, uma greve dos juízes federais será uma afronta direta ao Estado Democrático de Direito.

A carreira judicante tem a importante função de distribuir a justiça visando à paz social e ao bem comum. A magistratura federal não pode ignorar os deveres que tem para com o jurisdicionado brasileiro. O exercício da função judicial vai muito além de interesses pessoais daqueles que ocupam esses relevantes cargos públicos, que mais do que qualquer outro, personificam o próprio poder estatal, e o Estado não pode fazer greve.

Certamente, uma discussão sobre reajuste de vencimentos pode ser encaminhada, mas não nos termos propostos. É inadmissível a tese de que o próprio Supremo Tribunal Federal deveria conceder o reajuste pretendido pelos juízes, independentemente de lei, ignorando o Congresso Nacional, impedindo o debate transparente que precisa ser realizado sobre os interesses da nação em relação a tal aumento, e o conhecimento, pelo contribuinte, sobre o impacto que trará sobre as finanças públicas.

A OAB-SP confia em que os senhores magistrados melhor refletirão sobre os efeitos da deflagração de uma greve, que não contribuirá em nada para a solução de pontos de insatisfação salarial dos juízes federais, uma vez que há outras formas de negociação que não envolvam a paralisação da Justiça, reitere-se, serviço essencial à cidadania.

São Paulo, 29 de março de 2011
Marcos da Costa
Presidente em exercício da OAB-SP

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Escrivães do Interior reúnem-se para conhecer atualizações do Sispro

O_desenvolvedor_do_Sispro_Messias_Andrade_apresentando_as_atualizaes_do_sistemas_para_os_cartorrios_do_InteriorMais de 60 cartorários estiveram reunidos na última sexta-feira (25/03) para conhecer as atualizações do Sistema de Gerenciamento de Processos (Sispro), criado em 2007 para facilitar o acompanhamento da rotina cartorária no interior do Estado. Das 59 comarcas do Amazonas, 44 já utilizam o sistema desenvolvido pelo analista Messias Andrade, servidor de carreira do TJ-AM, lotado na Corregedoria Geral de Justiça.

A nova versão do Sispro já traz as atualizações das tabelas de classe, assunto e movimentações baseada na normatização do Conselho Nacional de Justiça. Outra novidade é a apresentação de indicadores com lançamento automático para a estatística do CNJ.

Também foi inserida uma apresentação do módulo de custas que gera automaticamente boleto e código de barras para fins de pagamento e repasses, evitando a possibilidade de erro – comum no cálculo manual.

Para Messias, as atualizações apresentadas traduzem-se em melhorias para os cartorários tanto das serventias judiciais quanto das extrajudiciais que utilizam o sistema no interior do Estado. “Eles vivem situações bem peculiares se comparados aos escrivães de outras regiões do país – e o Sispro não perde isso de vista”, comenta.

Soluções
Ainda de acordo com Messias, no ano passado recebeu da corregedora-geral de Justiça, desembargadora Maria do Perpétuo Socorro Guedes Moura, a orientação de traduzir as dificuldades do interior em soluções para o usuário que gerencia a rotina cartorária nas comarcas.

As principais dificuldades identificadas pelo analista nos cartórios judiciais do Interior foram: a falta de recursos humanos, a “quase ausência” de Internet, a falta de estrutura computacional e de capacitação dos colaboradores. “Fizemos uma leitura da realidade do Interior do Amazonas para tentar apresentar respostas eficientes a cada uma das dificuldades”, comenta.

escrivaesSisproComo resposta foi criado um sistema leve, simples e auto-explicativo, que não exige configuração mínima para a máquina servidor e tão pouco a virtualização do processo – o que demandaria equipamentos e pessoal acima da capacidade das comarcas. Outro fator considerado importante do Sispro é o fato dele permitir a alimentação dos dados em off-line, ou seja, sem está ligado a internet.

Para o escrivão da comarca de Benjamin Constant, Abdias Oliveira, “pelo o que foi apresentado, o sistema vai atender 90% das necessidades do nosso cartório. Para ser 100% só precisava gerar número e termo de registro automaticamente”, avalia. Ele se refere a emissão de certidões de pessoas naturais, próprio das serventias extrajudiciais.

Em resposta Messias Andrade lembra que “o trabalho de aprimoramento será constante e contínuo, por isso surgem as atualizações”. Para ele, “a proposta da corregedora de manter reuniões periódicas com os escrivães também vai atender ao objetivo de reconhecer novas demandas – para superá-las”, explica.

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Corregedoria reforça parceria com os cartorários do Interior

No último dia 25 a corregedora-geral de Justiça, desembargadora Maria do Perpétuo Socorro Guedes Moura, reuniu com os cartorários do interior do Estado para, como ela própria definiu, “estreitar a comunicação e reforçar a parceria em prol do judiciário amazonense”. Foram quase três horas de conversa, onde também participaram os juízes auxiliares da corregedoria, Dídimo Santana e Ida Andrade, que na oportunidade esclareceram dúvidas e passaram orientações para a manutenção do bom relacionamento dos escrivães com aquele órgão correicional.

Durante o encontro a juíza Ida Andrade fez questão de reforçar que a Corregedoria exerce um papel orientador, e não meramente punitivo, como muitos acreditam. “Existimos para garantir o bom funcionamento do Judiciário e preferimos fazer isso pelas vias do diálogo, mas as vezes precisamos ir além”, comenta.

Muitos dos “pontos de acerto” foram abordados pelo juiz Dídimo Santana que alertou os cartorários para o cumprimento dos prazos nos processos judiciais a fim de evitar que as correições resultem em abertura de processos administrativos. Daqueles que cumulam as serventias, ele solicitou que dispensem a mesma atenção ao judicial e extrajudicial, inclusive, quando possível, fazendo a separação física dos cartórios.

Dídimo também pediu mais controle em relação aos mandados cumpridos pelos oficiais de justiça e mais empenho em relação ao cumprimento das cartas precatórias. E ainda fez questão de destacar a dificuldade de comunicação com alguns cartórios extrajudiciais que sequer disponibilizam uma linha telefônica para contato.

escrivaesSoluções
Ao longo da reunião os escrivães também expuseram a causa de muitos dos problemas que têm que administrar, como por exemplo, a ausência de mão de obra qualificada e a precariedade dos sistemas de comunicação (internet e telefonias fixa e móvel).

“O tribunal não está alheio a essas dificuldades”, garantiu a corregedora Socorro Guedes, destacando que o TJ-AM adquiriu antenas para uso de internet nas comarcas do Interior.

Quanto a ampliação do número de servidores, ela avaliou que tudo deve caminhar para possibilitar novas contratações, por vias de concurso público. Na oportunidade a desembargadora anunciou, a pedido do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador João Simões, que a medida que previa a diminuição do número de comarcas no Amazonas deverá ser suspensa. A perspectiva surgiu após conversa do chefe do judiciário com o governador Omar Aziz.

Desfecho
Ao final a desembargadora Socorro Guedes agradeceu a presença e a disposição de todos em participar da reunião. “Sei que para alguns é muito caro vir até aqui, mas essa aproximação é salutar para nós”, avaliou. Depois lançou a proposta de repetir o encontro a cada três meses. Com aprovação de todos, a próxima reunião já ficou marcada para a última semana de junho.

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